Entre o teu toque e o meu silêncio

11:50

Perde-se-me a noção quando te sinto perto.

Não sei onde começo eu nem onde começas tu, e isso inquieta-me e chama-me ao mesmo tempo.

Olho-te e é como se o corpo se lembrasse antes da mente.

Como se já te tivesse sentido antes, noutra forma, noutro erro, noutro instante em que também não soube parar.

Há um silêncio entre nós que não é vazio.

É cheio.

Cheio demais para ser ignorado.

E eu sinto isso na forma como respiro mais devagar quando estás perto,

na forma como o meu corpo se denuncia antes de mim.

Quando me tocas, não há cuidado que me mantenha inteira.

Há qualquer coisa em mim que cede, não por fraqueza, mas por reconhecimento.

Como se finalmente deixasse de fazer sentido resistir.

Fico demasiado consciente de tudo.

Da pele. Do espaço. Da distância que já não parece distância nenhuma.

E quando te aproximas mais, eu deixo de ser só eu.

Passo a ser também aquilo que sinto em ti, aquilo que me devolves sem palavras.

Não há paz nisto.

Há uma espécie de vertigem calma.

Um perder-se que não assusta logo - primeiro chama.

E eu deixo.

Deixo um pouco mais do que devia.

Deixo porque há encontros que não perguntam se podem ficar… apenas ficam.

E eu fico também.


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