Seis Anos de Saudade

13:49


Hoje fazias seis anos.

Seis.

Uma palavra tão pequena

para um tempo que nunca tivemos.

Enquanto o mundo aprende a contar aniversários,

eu conto ausências.

Conto os silêncios.

Conto as vezes em que imaginei a tua voz,

o teu primeiro dia de escola,

os joelhos esfolados,

as birras,

os abraços que nunca chegaram a existir.

Morreste ao meu lado.

E uma parte de mim

morreu contigo.

Durante muito tempo,

respirar foi apenas um hábito.

Sorri porque era preciso.

Levantei-me porque havia dias que insistiam em nascer,

mesmo quando eu já não queria pertencer a nenhum deles.

Há dores que não cicatrizam.

Apenas aprendem a falar mais baixo.

Dizem que o tempo cura.

Não cura.

O tempo ensina-nos apenas

a carregar um coração partido

sem o deixar cair no chão.

Hoje não choro apenas a bebé que partiu.

Choro a menina de seis anos

que nunca conheci.

A criança que nunca me chamou “mãe”.

Os desenhos que nunca vieram para o frigorífico.

As histórias antes de dormir.

Os Natais.

Os aniversários.

A vida inteira

que ficou por viver.

Mas, apesar de tudo,

continuo aqui.

Não porque a dor tenha passado,

mas porque aprendi a sobreviver ao impossível.

E talvez seja isso o amor.

Continuar a amar alguém

que já não podemos abraçar.

Continuar a sentir falta

de alguém

que o mundo insiste em dizer

que já passou tempo suficiente para esquecer.

Não passou.

Nunca passará.

Porque uma mãe

não enterra apenas um filho.

Enterra todos os futuros

que sonhou para ele.

Feliz aniversário, minha filha.

Onde quer que o infinito te tenha levado,

espero que saibas

que o meu coração

continua a bater por nós as duas.

E enquanto eu respirar,

haverá sempre um lugar neste mundo

onde o teu nome

é sinónimo de amor.


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